Na minha trajetória atuando com cibersegurança, percebi o quanto o termo “Red Team” ainda gera dúvidas, mesmo entre profissionais de tecnologia. O conceito de equipe vermelha vai muito além do simples teste de invasão. Trata-se de uma estratégia avançada que simula ameaças reais para avaliar, de maneira profunda, os limites da segurança de uma organização, usando métodos e recursos similares aos de invasores sofisticados.
Contar com um Red Team é um diferencial para empresas que valorizam a proteção de seus ativos críticos e querem entender, de fato, o quão preparadas estão para encarar ameaças cibernéticas. Neste artigo, compartilho o que aprendi sobre o tema: desde conceitos fundamentais até exemplos práticos e benefícios reais desse tipo de simulação ofensiva, destacando a importância da integração com outras equipes, como o Blue Team e o Purple Team.
O que é Red Team em cibersegurança
Quando penso em Red Team, penso em um grupo de especialistas que assume o papel de adversários “do bem” dentro das organizações. Seu objetivo? Simular ataques cibernéticos, físicos e humanos, igual ou até mais sofisticados que os de um hacker real. Em outras palavras, buscam por brechas onde ninguém mais procura.
Diferente dos testes tradicionais, essa abordagem não se limita ao ambiente digital. O Red Team pode englobar tentativas de acesso físico a escritórios, manipulação de funcionários por meio de engenharia social, além de explorar fragilidades tecnológicas em redes, sistemas, aplicativos e dispositivos conectados.
Os especialistas de Red Team pensam como atacantes e agem como aliados.
Um ponto interessante: a atuação ofensiva da equipe vermelha não ocorre de modo isolado. Eles têm papel complementar às equipes defensivas (Blue Team) e, quando há integração, juntos formam o Purple Team, conceito que abordarei mais adiante.
Como o Red Team se diferencia do Blue Team e do Purple Team
Antes de detalhar estratégias e táticas, vale destacar como o Red Team se posiciona na estrutura de defesa cibernética. O Blue Team, por sua vez, têm a missão de defender os sistemas, detectar tentativas de invasão e responder a incidentes, enquanto o Purple Team surge como ponte, promovendo colaboração entre ataque e defesa. Minha experiência mostrou que, quando esses times trabalham juntos, a segurança avança de patamar.
- Red Team: Especialistas com perfil ofensivo, focados em simular ameaças reais, explorando múltiplos vetores e pensando fora da caixa.
- Blue Team: Responsáveis pela defesa, monitoramento, detecção e contenção de ataques, mantendo a integridade dos ambientes.
- Purple Team: Formado pela integração de profissionais de ataque e defesa, promovendo trocas constantes para evolução de controles e estratégias.
Quando Red e Blue trabalham juntos, nasce o aprendizado constante.
No dia a dia, vejo que empresas maduras priorizam avaliações ofensivas regulares. Esse tipo de exercício revela vulnerabilidades que dificilmente seriam detectadas apenas por ações defensivas rotineiras.
Papel do Red Team: simulação ofensiva realística
A essência do Red Team está na simulação realista. Para isso, as equipes precisam agir com criatividade, persistência e discrição. Não se trata apenas de encontrar falhas. É preciso provar que um ataque bem-executado pode alcançar objetivos críticos, como:
- Obtenção de acesso privilegiado a informações sensíveis;
- Comprometimento de servidores e aplicativos-chave;
- Manipulação de colaboradores;
- Invasão física a áreas restritas;
- Desvio de dados estratégicos sem detecção;
Na minha opinião, o que diferencia o Red Team é o foco em capturar o impacto real de uma violação, não apenas listar falhas hipotéticas.

Metodologias utilizadas pelas equipes ofensivas
Um ponto que sempre ressalto durante apresentações e treinamentos é a importância de seguir metodologias reconhecidas mundialmente. Quem trabalha em Red Teaming, como a Guardsi faz desde 2015, costuma adotar referências como MITRE ATT&CK, OSSTMM e PTES. Elas auxiliam a garantir que os testes sejam estruturados, confiáveis e auditáveis.
- A matriz MITRE ATT&CK, por exemplo, organiza táticas e técnicas de adversários reais, cobrindo desde o reconhecimento até a persistência pós-exploração.
- O OSSTMM (Open Source Security Testing Methodology Manual) traz padrões para avaliar segurança física e lógica.
- O PTES (Penetration Testing Execution Standard) orienta sobre planejamento, escopo, execução e relatório dos testes.
Ter clareza nos processos é algo que valorizei muito nos projetos que já participei. Uma equipe estruturada gera resultados confiáveis e promove aprendizado para todos os envolvidos.
Etapas de uma simulação de ataque pelo Red Team
Costumo dividir o trabalho do Red Team em etapas claras, alinhadas com as melhores práticas. Cada fase exige conhecimentos e ferramentas específicas. Elas se conectam, formando um ciclo estruturado:
- Reconhecimento: Pesquisa de informações públicas, coleta de dados sobre ativos, pessoas, sistemas e processos da organização-alvo.
- Enumeração: Identificação detalhada de sistemas acessíveis, portas, serviços e possíveis vulnerabilidades expostas em redes e aplicativos.
- Planejamento do ataque: Definição de vetores, escolha das técnicas e preparação das ferramentas a serem utilizadas, simulando estratégias de um atacante real.
- Exploração: Execução de ataques, como exploração de falhas, envio de phishing, quebra de senhas ou tentativas de acesso físico.
- Pós-exploração: Consolidação de acessos, movimentação lateral na rede e demonstração do impacto, provando possível roubo ou destruição de dados importantes.
- Relato e consultoria: Elaboração de relatórios, demonstração de cenários de ataque bem-sucedidos e sugestão de medidas corretivas para mitigar riscos mapeados.
Em todo esse processo, um diferencial é o comprometimento com a ética e com a comunicação transparente. O objetivo é fortalecer a segurança, nunca comprometer a operação da empresa.
Táticas de Red Team: criatividade a serviço da proteção
Uma coisa que sempre me fascina nesse universo é a variedade de técnicas que podem ser aplicadas nas simulações. Além das ferramentas tecnológicas, os times vermelhos abusam da criatividade e de habilidades comportamentais.
- Engenharia social: Testes de phishing, vishing (chamadas fraudulentas), pretexting (criação de cenários falsos) e entrega de dispositivos contaminados são práticas frequentes. Já vi casos em que “atacantes” se passaram por fornecedores ou técnicos para acessar áreas restritas.
- Exploitation técnico: Exploração de vulnerabilidades conhecidas (ou zeroday), ataques a aplicativos web, manipulação de configurações fracas e ataques a senhas.
- Automação: Scripts, robôs e ferramentas automáticas otimizam tarefas como varredura de rede, análise de perfis em redes sociais e coleta de dados massivos.
- Ameaças físicas: Tentativas de invasão ao perímetro, manipulação de dispositivos e exploração de acessos não supervisionados.
O segredo está em combinar técnicas, buscando simular a complexidade dos ataques reais e medir, com precisão, a capacidade de resposta da empresa.

Exemplos práticos: quando o Red Team surpreende
Já acompanhei casos em que simulações do tipo Red Team identificaram falhas não vistas nos relatórios de vulnerabilidade tradicionais. Compartilho dois exemplos (sempre sem expor dados de terceiros):
- Ataque combinado: Em uma empresa do setor financeiro, a equipe ofensiva conseguiu, por meio de phishing bem planejado, obter as credenciais de um colaborador que, por acaso, possuía acesso privilegiado ao ambiente de produção. Em seguida, avançaram lateralmente até comprometer sistemas críticos. O relatório detalhou todo o caminho do atacante, permitindo ajustes imediatos nas políticas de acesso e treinamento do time.
- Invasão física simulada: Num outro cenário, um dos especialistas de Red Team conseguiu acessar a área de servidores passando-se por prestador de serviços e aproveitando-se de um momento agitado na empresa. A ação serviu para despertar a atenção da segurança patrimonial e motivou a implementação de controles mais eficientes.
Essas experiências reforçam como testes reais e imprevisíveis expõem as reais fragilidades das organizações. Não se trata de envergonhar equipes, mas de ajudá-las a evoluir.
Benefícios para a resiliência e defesa cibernética
Na minha rotina profissional, vejo que organizações que realizam avaliações ofensivas com frequência conseguem fortalecer sua postura de segurança e reduzir riscos associados a fraudes, vazamentos e interrupções. Entre os benefícios mais claros:
- Identificação de falhas técnicas, humanas e físicas antes de ataques reais;
- Treinamento de equipes sob pressão, com melhorias significativas na resposta a incidentes;
- Acesso a relatórios objetivos, detalhados e práticos, indicando rotas de melhoria;
- Validação contínua do funcionamento de controles de acesso, firewalls, antivírus e políticas;
- Criação de uma cultura de vigilância e evolução constante.
Um dos maiores diferenciais do Red Teaming está em desafiar os limites da zona de conforto das defesas corporativas.
Por que avaliações regulares são fundamentais para empresas?
Se alguém me perguntasse “com que frequência devo simular ataques?”, eu responderia: pelo menos uma vez ao ano, mas o ideal é adaptar à realidade e ao porte da sua organização. Avaliações ofensivas periódicas, além de atender requisitos de auditorias e regulações, mostram maturidade e respeito ao próprio negócio.
Empresas que dependem de tecnologia para operar, principalmente aquelas com dados sensíveis ou infraestrutura crítica, devem estar sempre um passo à frente dos atores maliciosos. O pentest tradicional é uma camada fundamental, mas a simulação avançada (como a realizada por times de Red Teaming) leva a segurança a outro patamar, alinhando processos, tecnologia e pessoas.
Como o Red Team impulsiona melhorias na resposta a incidentes
Os resultados produzidos por simulações ofensivas não param na identificação de vulnerabilidades. O grande valor está na aprendizagem obtida: a cada ataque fictício, a equipe defensiva aperfeiçoa a capacidade de identificar, conter e responder a ameaças em tempo real.
Já participei de projetos em que, após exercícios combinados de Red e Blue Team, as empresas aumentaram exponencialmente seu tempo de detecção, diminuíram a janela de exposição e melhoraram a postura analítica do SOC (Security Operations Center).
Essas simulações também servem para testar planos de resposta a incidentes, algo que trato com profundidade em meus estudos sobre resposta a incidentes e sempre recomendo que seja revisado regularmente. Afinal, a diferença entre um grande desastre e um susto passageiro está diretamente ligada à capacidade de reação de todos os envolvidos.

Automação e inteligência: o papel dos dados no Red Teaming
Com o avanço de ferramentas, técnicas de automação e soluções de inteligência de ameaças, os testes de Red Team tornaram-se ainda mais rápidos e profundos. Para mim, a automação é aliada para otimizar etapas manuais e ampliar a cobertura de alvos, mas jamais substitui o olhar estratégico do profissional humano.
Por exemplo, algoritmos podem identificar padrões de aberturas em firewalls, sistemas desatualizados ou hábitos de uso de senhas frágeis. Porém, a leitura do contexto e a escolha do momento certo para cada ação ainda dependem de criatividade, expertise e intuição, algo que apenas os especialistas conseguem oferecer.
Essa integração entre tecnologia, metodologia e pessoas é um dos pilares das operações da Guardsi, que alia as melhores ferramentas à capacidade de customizar cenários de ataque, conforme a realidade e objetivos de seus clientes.
Como escolher um parceiro para simulações ofensivas
Decidir por um bom parceiro para executar Red Teaming exige muito mais que avaliar currículos técnicos. É preciso buscar referências, analisar experiência comprovada, verificar certificações reconhecidas (como CEH, OSCP, CISSP) e, especialmente, garantir que o fornecedor segue padrões éticos e metodologia clara.
Outro aspecto fundamental é a transparência. O ideal é que o fornecedor deixe claro todo o processo, desde a fase de escopo até o suporte pós-projeto. Não se pode correr riscos com improvisos quando o assunto é segurança.
Como profissional do setor, recomendo consultar especialistas certificados e acompanhar conteúdos relevantes, como os disponíveis no blog da Guardsi sobre cibersegurança e artigos sobre estratégias de simulação.
Red Team na cultura de segurança: mudança de mentalidade
Vejo que, mais do que uma ferramenta técnica, a abordagem ofensiva estimula uma transformação cultural nas organizações. Ao trazer evidências concretas de riscos e vulnerabilidades, derruba barreiras internas e ajuda setores diversos a entenderem que todos são responsáveis pela segurança.
Quando todos vestem a camisa da segurança, as ameaças não têm vez.
Treinamentos, workshops, simulações-surpresa e comunicação constante criam equipes multidisciplinares mais preparadas, participativas e confiantes em sua habilidade de proteger a empresa.
Conclusão: preparando sua empresa para o amanhã
Depois de tantos projetos acompanhados, acredito que a principal lição deixada pelas operações de Red Team é a necessidade de manter as defesas sempre em evolução. Atacantes inovam, aproveitam falhas inesperadas, testam limites. Somente empresas que simulam cenários reais e investem no desenvolvimento de suas equipes estão de fato preparadas para enfrentar o que está por vir.
Se você ainda não realiza simulações ofensivas ou deseja melhorar o nível de maturidade em segurança da sua organização, a hora é agora. Entre em contato com a Guardsi e fale com um especialista. Conheça nossos serviços, peça uma avaliação gratuita e esteja um passo à frente das ameaças. Proteger ativos estratégicos requer ação preventiva.
Perguntas frequentes sobre Red Team
O que é Red Team em cibersegurança?
Red Team é o grupo de especialistas que simula ataques reais, digitais, físicos e humanos, dentro de uma organização, com o objetivo de descobrir e explorar vulnerabilidades de modo controlado. O grande propósito é testar, de forma segura, se as defesas atuais conseguem realmente impedir ameaças avançadas.
Como funciona uma simulação de ataque Red Team?
Durante uma simulação ofensiva, o time adota o ponto de vista de um invasor: coleta informações, identifica pontos fracos, planeja ataques criativos (como phishing, mapas de rede, explorações técnicas e até tentativas físicas), executa ações de infiltração e, ao final, elabora um relatório detalhado, evidenciando cenários de risco e sugerindo melhorias.
Quando contratar um serviço de Red Team?
O ideal é realizar simulações ofensivas sempre que houver mudanças significativas nos sistemas, crescimento da empresa, exigências regulatórias (como LGPD e normas do setor financeiro) ou quando for necessário medir a efetividade dos controles atuais. Empresas inovadoras fazem esse tipo de teste regularmente, para manter-se seguras frente a novas ameaças.
Quanto custa uma operação de Red Team?
O valor varia conforme o tamanho do ambiente, nível de complexidade, objetivos e escopo do projeto. Geralmente, equipes especializadas como a Guardsi elaboram propostas personalizadas, alinhadas ao perfil e à necessidade da empresa, levando em conta tempo, ferramentas e recursos envolvidos.
Quais os benefícios do Red Team para empresas?
Entre os principais benefícios estão a identificação antecipada de falhas, treinamento das equipes sob pressão real, validação de controles de segurança, mitigação de riscos graves e construção de uma cultura organizacional preventiva. A abordagem do Red Team potencializa a maturidade de segurança e prepara empresas para ameaças modernas e sofisticadas.