A evolução da medicina é algo que sempre me surpreende. Desde meu primeiro contato com ambientes cirúrgicos, percebo como a tecnologia agrega precisão, conforto e resultados. A chegada da cirurgia robótica vem mudando padrões, impactando positivamente os campos da urologia e da oncologia, principalmente quando pensamos no tratamento de câncer de próstata e tumores renais. Quero compartilhar um panorama claro, detalhado e prático sobre esse avanço, respondendo às principais dúvidas que costumo ouvir no consultório e nos corredores hospitalares.
O que é a cirurgia robótica e como funciona?
Nada de robôs autônomos operando pacientes sem supervisão. A cirurgia robótica é, na verdade, um procedimento minimamente invasivo controlado 100% por um cirurgião altamente especializado. O profissional utiliza uma espécie de console, quase como joysticks, para manipular braços robóticos acoplados a instrumentos delicados, enquanto observa tudo amplificado e em alta definição por uma câmera tridimensional.
O robô Da Vinci é até o momento a plataforma mais conhecida e utilizada nesse cenário. Ele permite movimentos extremamente precisos, sem tremores, e com amplitude superior à mão humana. A imagem do campo cirúrgico aparece ampliada, em 3D, permitindo que vejo detalhes antes invisíveis a olho nu.

O cirurgião nunca perde o controle. O equipamento apenas amplia movimentos e garante estabilidade, transformando força bruta em sutileza e sensibilidade. Já acompanhei pacientes que se surpreenderam com a tecnologia, esperando ver um “robô operando sozinho”, quando, na prática, a inteligência e tomada de decisão continuam sempre sendo humanas.
Principais aplicações em urologia e oncologia
Sou testemunha do impacto dessa técnica, especialmente em tumores urológicos. O câncer de próstata é o carro-chefe da cirurgia robótica no Brasil. Não à toa, a Agência Nacional de Saúde Suplementar já oficializou que a prostatectomia radical assistida por robô terá cobertura obrigatória em planos de saúde a partir de 2026, justamente pelos resultados positivos dessa abordagem segundo decisão da Agência Nacional de Saúde Suplementar.
Na minha rotina, indico com frequência operações para:
- Câncer de próstata com indicação cirúrgica
- Tumores renais, inclusive para nefrectomias parciais (onde é possível preservar boa parte do órgão)
- Alguns casos de câncer de bexiga e de ureter
- Outros procedimentos que antes eram exclusivamente feitos por laparoscopia ou cirurgia aberta, como reconstrução do trato urinário
Por ser menos invasiva, também pode ser utilizada em casos seletos de hiperplasia prostática benigna, cirurgia de hérnia inguinal e outras situações, desde que haja indicação médica e consentimento adequado.
Comparação com técnicas convencionais
É comum pacientes perguntarem se tudo isso faz real diferença. Minha resposta sincera, baseada em dados e experiência: sim. A diferença mais notável está no trauma cirúrgico reduzido.
- Precisão maior: os movimentos são suaves e microajustados, o que facilita preservar estruturas nobres, como nervos responsáveis por continência urinária e ereção.
- Visão ampliada e detalhada: consigo ver vasos e tecidos que ficariam quase ocultos na cirurgia tradicional.
- Cortes menores: as incisões são pequenas, facilitando a cicatrização e reduzindo o risco de infecção.
- Menos sangramento intraoperatório: o controle dos vasos sanguíneos é feito com segurança e rapidez.
- Recuperação com menos dor: diversos pacientes relatam precisar de menos analgésicos no pós-operatório imediato.
- Internação mais curta: em muitos casos, a alta ocorre em 24 a 48 horas.
Tive a oportunidade de avaliar o relato de pacientes submetidos à nefrectomia parcial assistida por robô, como aconteceu recentemente em grande hospital brasileiro, onde a paciente teve mais de 80% do rim preservado e recebeu alta em menos de 20 horas após o procedimento relato do Hospital das Forças Armadas. São avanços que beneficiam a todos.
Comparando com a laparoscopia
Ambos os métodos são minimamente invasivos, mas a cirurgia robótica se destaca pela flexibilidade dos instrumentos e pela ergonomia, tanto para quem opera quanto para quem é operado.
- Mãos humanas têm limitações naturais de alcance e rotação; braços robóticos superam esses limites.
- A câmera em três dimensões oferece uma percepção de profundidade incomparável.
Pode parecer exagero, mas apenas quem já teve a oportunidade de operar ou acompanhar cirurgias pelo sistema robótico entende o salto que representa para resultados e segurança.

Precisão e delicadeza lado a lado, em benefício do paciente
O caminho da cirurgia robótica no Brasil
Quando comecei a estudar sobre o tema, fiquei impressionado com a rapidez da adoção dessa tecnologia em nosso país. Desde 2012, o Instituto Nacional do Câncer registrou mais de 2.000 procedimentos robóticos só em Urologia, Ginecologia, Cabeça e Pescoço, Abdome e Tórax. O próprio INCA já criou um Centro de Treinamento e Pesquisa em Robótica pioneiro para o Sistema Único de Saúde como destaca o Instituto Nacional de Câncer.
Isso só foi possível graças ao esforço conjunto de médicos, hospitais, órgãos reguladores e entidades de ensino. Hoje é possível encontrar diversos profissionais formados e certificados para atuar nessa área, como faço questão de acompanhar constantemente.
A automação e os recursos avançados trazidos pelos robôs eliminaram obstáculos de execução, permitindo cirurgias cada vez mais seguras, rápidas e minimamente traumáticas.
O papel do robô Da Vinci
Quem já visualizou de perto o robô Da Vinci percebe como a delicadeza dos braços robóticos impressiona. Ele traduz movimentos da mão do cirurgião em movimentos ainda mais finos e livres de tremores. Os instrumentos são desenhados para operar com alta precisão em locais de difícil acesso, como a pelve no caso do câncer de próstata.
Admiro especialmente como a tecnologia permite movimentos angulados impossíveis para a mão humana. A ampliação de 10 a 15 vezes da imagem ainda revela detalhes minúsculos, o que significa chances aumentadas de remover todo o tumor e preservar funções delicadas.
Soma-se a isso o filtro de tremores naturais do corpo do cirurgião, algo impossível em técnicas convencionais. Isso tudo contribui para procedimentos mais seguros e eficientes.
Como é o preparo do paciente?
O preparo para uma cirurgia robótica se assemelha ao de procedimentos minimamente invasivos. Gosto de explicar todos os passos ao paciente, tirando dúvidas para trazer mais tranquilidade. O pré-operatório geralmente inclui:
- Avaliação clínica detalhada e exames laboratoriais, de imagem e cardíacos
- Jejum, conforme orientação médica e anestésica
- Suspensão de medicamentos que aumentem risco de sangramento (sempre sob supervisão médica)
- Orientações sobre internação e recuperação imediata
Alguns detalhes variam de acordo com o tipo de cirurgia, mas a participação ativa do paciente, conscientes das etapas, é sempre incentivada em meu consultório.
Critérios de indicação e pacientes que mais se beneficiam
Nem todo caso cirúrgico requer robótica. Cada paciente é avaliado de maneira individual. Minha conduta é sempre tentar empregar a melhor técnica para cada perfil, considerando:
- Localização e tamanho do tumor
- Preservação de função urinária e sexual
- Idade, comorbidades e estado geral de saúde
- Experiência da equipe cirúrgica
Pacientes com tumores localizados, principalmente de próstata e rim, têm vantagens claras com técnicas robóticas. Aqueles com doenças coexistentes, que não toleram bem grandes cortes, também se beneficiam pelo trauma reduzido.
Nas indicações oncológicas, estudos mostram melhores taxas de controle de margens cirúrgicas e menor perda sanguínea, indicadores de eficiência e segurança.
Treinamento e segurança do cirurgião
Nenhuma máquina substitui o olhar, o discernimento e a sensibilidade do ser humano. O treinamento em cirurgia robótica é rigoroso e exige dedicação. Pude experimentar simulações em laboratório, treinamento em cadáveres, validação por mentores experientes e avaliação prática ao vivo.
A certificação só ocorre após completar várias etapas e receber autorização oficial. Mantemos a atualização constante, revendo resultados, participando de congressos e grupos de discussão, buscando sempre o melhor para nossos pacientes.
Por isso, reforço sempre que o principal fator de sucesso é a combinação tecnologia + equipe experiente + atenção centrada no paciente, valores compartilhados por mim e por projetos como o desenvolvido pelo Dr Vítor Eugênio Ribeiro.
Para quem gosta de entender mais sobre cirurgias avançadas e urologia de ponta, há muitas informações detalhadas disponíveis na literatura nacional e internacional.
O que esperar do pós-operatório?
No pós-operatório, a diferença é sentida já nas primeiras horas. O ambiente hospitalar é mais humanizado, o paciente consegue se movimentar antes, sente menos dor e consegue alimentação leve em pouco tempo.
Os sinais mais observados são:
- Dor controlada com analgésicos simples
- Cicatrizes de menos de 2 cm, quase imperceptíveis após alguns meses
- Menor risco de infecção de ferida operatória
- Volume de sangramento baixo, reduzindo chance de transfusão
- Alta hospitalar geralmente em 1 a 2 dias
- Retorno ao trabalho e atividades cotidianas em poucos dias ou semanas, dependendo da complexidade da cirurgia
Os cuidados pós-operatórios incluem repouso moderado, hidratação, cuidado com curativos e acompanhamento médico, que pode ser presencial ou, em alguns casos, online, como já praticamos em nossa equipe.

Recuperar-se rápido, com menos dor e máxima segurança: esse é o objetivo
Tempo de internação e retorno às atividades
Talvez eu repetir, mas é importante: o grande diferencial está no tempo encurtado de hospitalização. A maioria dos pacientes retorna para casa em até 48 horas, e muitos conseguem voltar para suas rotinas de trabalho leve em uma a duas semanas.
O tempo para atividade física mais intensa ou viagens longa deve ser conversado caso a caso, mas costumo orientar aguardar cerca de 30 dias para isso em cirurgias maiores.
Para dúvidas mais específicas sobre o retorno a esportes, relações sexuais ou atividades sociais, recomendo uma discussão personalizada na consulta, já que cada pessoa tem adaptação única.
Além dos temas detalhados aqui, tenho visto dúvidas frequentes também sobre custos, disponibilidade na rede pública e eficácia a longo prazo para outros tumores. Deixo algumas recomendações para leitura complementar, como exemplos de casos e relatos de pacientes disponíveis em histórias reais e informações sobre avanços em novas tecnologias na urologia.
Vale ressaltar ainda que a robótica também avança em outras áreas da medicina, como a ginecologia, cirurgia torácica e digestiva, sempre trazendo resultados positivos a partir de uma indicação médica criteriosa. Os avanços para a saúde coletiva podem ser acompanhados em atualizações sobre pesquisas oncológicas.
Conclusão: por que considerar a cirurgia robótica?
Se eu pudesse resumir em poucas palavras: menos dor, recuperação mais leve e mais chances de preservação da qualidade de vida. O paciente sente a diferença já no pós-operatório, e muitos relatam que, ao rever fotos das pequenas cicatrizes, quase não acreditam no procedimento que realizaram.
A tecnologia veio para ficar, e, desde que seja indicada com responsabilidade, confere ganhos reais para quem precisa enfrentar uma cirurgia urológica ou oncológica. Me sinto confiante em recomendar sempre que vejo benefício para o paciente.
Se deseja saber qual abordagem é mais adequada ao seu caso, agende sua consulta e permita-se experimentar o atendimento humano aliado ao que há de melhor em medicina robótica. Seja presencialmente em Belo Horizonte ou online para todo o Brasil, nossa equipe, inspirada no exemplo de cordialidade e compromisso do Dr Vítor Eugênio Ribeiro, está pronta para acolher e orientar você.
Perguntas frequentes sobre cirurgia robótica
O que é cirurgia robótica?
Cirurgia robótica é um método minimamente invasivo em que o cirurgião comanda, através de um console, braços robóticos equipados com instrumentos de alta precisão, realizando movimentos delicados e controlados por meio de tecnologia avançada. O robô não opera sozinho, mas potencializa a habilidade do profissional, trazendo mais segurança e melhores resultados.
Quais são os benefícios da cirurgia robótica?
Os benefícios principais envolvem cortes pequenos, menor dor, cicatrização rápida, menos sangramento e menor tempo de internação. Além disso, esse tipo de cirurgia reduz o risco de infecção e permitir uma recuperação muito mais confortável. A precisão dos movimentos robóticos ainda contribui para preservar estruturas importantes e garantir melhor qualidade de vida pós-operatória.
Quem pode fazer cirurgia assistida por robô?
A indicação é feita pelo médico de acordo com o diagnóstico, tamanho e localização do tumor, condição clínica do paciente e experiência da equipe cirúrgica. Pacientes com câncer de próstata, tumores renais e algumas doenças benignas urológicas são os principais candidatos à cirurgia robótica. Contudo, cada caso deve ser avaliado de forma personalizada.
Como é a recuperação após cirurgia robótica?
A recuperação é mais tranquila em comparação aos métodos tradicionais. É comum receber alta em 1 ou 2 dias, com menos dor e retorno precoce às atividades leves. Repouso moderado, cuidados simples com curativos e consultas de acompanhamento fazem parte do processo. Em poucas semanas, a maioria retoma suas atividades cotidianas sem restrições importantes.
Quanto custa uma cirurgia com robô?
O valor varia conforme a instituição, equipe médica, complexidade do caso e tipo do plano de saúde. A partir de abril de 2026, a prostatectomia radical assistida por robô terá cobertura obrigatória nos planos de saúde na maioria das operadoras, conforme estabelecido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar. Para outros procedimentos, é importante checar previamente junto ao convênio e à equipe médica.